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December, 2008
Eros e Psique
...E assim vêdes, meu Irmão, que as verdades que vos foram dadas no Grau de Neófito, e aquelas que vos foram dadas no Grau de Adepto Menor, são, ainda que opostas, a mesma verdade.
(Do Ritual Do Grau De Mestre Do Átrio Na Ordem Templária De Portugal)
Conta a lenda que dormia Uma Princesa encantada A quem só despertaria Um Infante, que viria De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado, Vencer o mal e o bem, Antes que, já libertado, Deixasse o caminho errado Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida, Se espera, dormindo espera, Sonha em morte a sua vida, E orna-lhe a fronte esquecida, Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado, Sem saber que intuito tem, Rompe o caminho fadado, Ele dela é ignorado, Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino Ela dormindo encantada, Ele buscando-a sem tino Pelo processo divino Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro Tudo pela estrada fora, E falso, ele vem seguro, E vencendo estrada e muro, Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera, A cabeça, em maresia, Ergue a mão, e encontra hera, E vê que ele mesmo era A Princesa que dormia.
- Fernando Pessoa
Publicado pela primeira vez in Presença, n.os 41-42, Coimbra, maio de 1934. Acerca da epígrafe que encabeça este poema diz o próprio autor a uma interrogação levantada pelo crítico A. Casais Monteiro, em carta a este último:
A citação, epígrafe ao meu poema "Eros e Psique", de um trecho (traduzido, pois o Ritual é em latim) do Ritual do Terceiro Grau da Ordem Templária de Portugal, indica simplesmente - o que é fato - que me foi permitido folhear os Rituais dos três primeiros graus dessa Ordem, extinta, ou em dormência desde cerca de 1888. Se não estivesse em dormência, eu não citaria o trecho do Ritual, pois se não devem citar (indicando a origem) trechos de Rituais que estão em trabalho [In VO/II.] July, 2006
Porque não pedir o Mundo ?
Cinco, quatro, três, dois, … Pois, não passámos do dois. Mas deixemos os relatos infelizes para depois. Estivemos quase, mas quase não sei se chega. Mandámos vir champagne e deu-se a tragédia grega. Como é que se diz? Foi por um triz que nós não pusemos os pontos nos is. Nabice? Preguiça? Alguém faltou à missa? Qualquer coisa lhes deu, não sei bem o que foi. Sei é que fizemos um grande campeonato mas na final não jogámos um boi.
Um boi?! Foi ou não foi?
Corremos, marcámos, merecemos, saltámos, sofremos e fizemos sofrer. Fizemos o possível enquanto houve combustível e metemos o que havia para meter. Como é que uma equipa com talento, magia e um futuro de que tanto se disse, está disposta a deitar fora a energia e se conforma em estar na história como "vice"? Nada disso! O tuga, que até hoje só provou que consegue ser segundo, Vai, por isso, deixar de ser chouriço e assumir o compromisso de ser campeão do mundo.
Corre mais, joga mais, Menos ais, menos ais, menos ais, Quero ainda mais
Há quem diga que Portugal não está em forma, modesto por norma, faz-lhe falta um safanão que nos faça de uma vez acreditar que entre os que podem ganhar está a nossa selecção. A fasquia está alta? Não faz mal, Portugal salta com milhões a empurrar. Até pode parecer louco, mas para nós segundo é pouco E um louco não se deve contrariar. Será demais pedir o mundo? O que pedimos, no fundo, são ainda menos ais. Porque todos se lembram do campeão Mas não dos que são derrotados nas finais. Ficar nos dois primeiros não tem mal nenhum, É preciso é que fiquemos no número um. Vamos apagar da história essa final de má memória e vão ver que ninguém topa. Porque eu posso estar errado, mas que eu saiba, em qualquer lado, o melhor do mundo é o melhor da Europa. Corre mais, joga mais, Menos ais, menos ais, menos ais, Quero ainda mais
Repete-se o refrão, a história é que não.
Marca mais, chuta mais Menos ais, menos ais, menos ais, Quero ainda mais.
É o retrato de um país aplicado ao futebol. Tem tudo o que é preciso, só perde por ser mole. Toca a acordar, pessoal! Queremos mais garra, deixar de ficar felizes quando a bola vai à barra. Vamos com tudo, meter o pé, chutar primeiro, Que o último a chegar é calaceiro. Ter medo deles? Isso era dantes! Vamos embora encher de orgulho os emigrantes. Sem esquecer que nas grandes emoções quando grita um português, gritam logo 15 milhões.
Heróis de Berlim, nobre povo… Não tinha graça cantar um hino novo? Escrito pelo pé de artistas que vão alargar as vistas à nação verde e vermelha. Ficar em segundo? Nem morto! Ganhar ou perder é desporto? 'Tá bem abelha! Venha a Alemanha, o Brasil ou a Argentina com cabelos de menina e cara de lobo mau, se calham a apanhar-nos pela frente e viram as costas à gente… TAU!
Corre mais, joga mais, Menos ais, menos ais, menos ais, Quero ainda mais
Repete-se o refrão, a história é que não.
Marca mais, chuta mais Menos ais, menos ais, menos ais, Quero ainda mais Seja no chão, pelo ar, de cabeça ou calcanhar, de tabela, nas laterais ou no miolo… Vai Ronaldo, finta um , finta dois, pode remataaaar… golo!!!
(É esta a vantagem da ambição, podes não chegar à lua, mas tiraste os pés do chão.)
Marca mais, chuta mais Menos ais, menos ais, menos ais, Quero ainda mais
Corre mais, joga mais, Menos ais, menos ais, menos ais, Quero ainda mais
Marca mais, chuta mais Menos ais, menos ais, menos ais, Quero ainda mais
Repete-se o refrão, a história é que não.
Corre mais, joga mais, Menos ais, menos ais, menos ais, Quero ainda mais
Marca mais, chuta mais Menos ais, menos ais, menos ais, Quero ainda mais
January, 2006
Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhamos.
Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim... do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre. Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe...nas cartas que trocaremos. Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices.
Aí, os dias vão passar, meses...anos... até este contacto se tornar cada vez mais raro. Vamo-nos perder no tempo....
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão:
«Quem são aquelas pessoas?»
Diremos...que eram nossos amigos e...... Isso vai doer tanto! «Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!» A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente......
Quando o nosso grupo estiver incompleto... reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo. E, entre lágrimas abraçar-nos-emos.
Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo......
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades....
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"
Fernando Pessoa January, 2006
Receita de Ano Novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo Cor de arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido) Para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, Mas novo nas sementinhas do vir-a-ver, Novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) Novo, espontâneo, que de tão perfeito se nota, Mas com ele se come, se passeia, Se ama, se compreende, se trabalha, você não precisa beber champanha ou qualquer outra Birita, não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? Passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções Para arquivá-las na gaveta. Não precisa chorar de arrependido Pelas besteiras consumadas Nem parvamente acreditar Que por decreto da esperança A partir de janeiro as coisas mudem E seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, Liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, Direitos respeitados, começando Pelo direito Augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, Tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, Mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo Cochila e espera desde sempre.
Carlos Drumond de Andrade November, 2005
A LÓGICA DE EINSTEIN
Conta certa lenda, que estavam duas crianças patinando num lago congelado.
Era uma tarde nublada e fria e duas crianças brincavam despreocupadas.
De repente, o gelo quebrou-se e uma delas caiu, ficando presa na fenda que se formou. A outra, vendo seu amiguinho preso e congelando, tirou um dos seus patins e começou a golpear o gelo com todas as suas forças, conseguindo por fim quebra-lo e libertar o amigo.
Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino:
- Como é que conseguiste fazer isso? É impossível que tenhas conseguido quebrar o gelo sózinho, sendo tão pequeno e com mãos tão frágeis!
Nesse instante, um ancião que passava pelo local, comentou:
- Eu sei como ele conseguiu!
Todos perguntaram:
- Pode dizer-nos como?
- É simples. Respondeu o velho.
- Não havia ninguém por perto, para lhe dizer que não seria capaz.
Albert Einstein
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